Vimos na última newsletter que a absorção sonora de um determinado sistema, onde o painel acústico é “apenas” um elemento, depende de vários parâmetros.
Comecemos pela taxa de perfuração… Um painel com 12mm de espessura com furos de 8mm diâmetro espaçados de 32mm em 32mm – corresponde no nosso catálogo ao painel CF8. O painel tipo A tem 16X16 furos (tem uma bordadura lisa de 6cm na periferia do painel) e o tipo B tem 18X18 furos – a sua taxa de perfuração é, respectivamente, 3,57% e 4,52%. Ou seja apenas 1% de diferença.
Verificamos que, mesmo com um pequeno aumento da taxa de perfuração, há um ligeiro aumento na absorção sonora nas altas-frequências, que a frequência de ressonância também é mais alta (400Hz vs 315Hz) e que há um ligeiro decréscimo de absorção sonora nas baixa-frequências.
Se a variação da taxa de perfuração for maior os resultados são ainda mais evidentes (ver figura abaixo).
Um painel não é melhor que o outro – tem um comportamento diferente.
Para sintetizar, se precisar de absorção sonora nas baixas-frequências escolho um painel com baixa taxa de perfuração, se preciso de mais absorção nas altas-frequências deverei utilizar um painel com uma taxa de perfuração mais elevada.
A frequência de ressonância, frequência para a qual a absorção sonora é mais elevada, pode ser afinada (“sintonizada”) para as frequências criticas do espaço em estudo, tendo em atenção que, em termos teóricos, é dada por
onde c é a velocidade do som (≈343m/s), r é o raio do furo, d é a dimensão da caixa-de-ar, l0 é a espessura do painel e ε é a taxa de perfuração. Na prática esta expressão dá valores um pouco mais altos do que os encontrados nos ensaios, mas deve-se, entre outros factores ao facto de não ter em consideração a utilização da lã de rocha no interior da caixa-de-ar. De qualquer maneira percebemos por esta expressão quais são os parâmetros que podemos alterar de modo a “sintonizar” os painéis às necessidades das salas.
Artigo de: Eng. Ricardo Patraquim

