Nos últimos artigos vimos a influência da taxa de perfuração dos painéis acústicos e da dimensão da caixa-de-ar na absorção sonora proporcionada por este tipo de sistema. Hoje vamos analisar a influência do preenchimento da caixa-de-ar que tem de existir no tardoz dos painéis acústicos de madeira perfurada.
Para tal, a título de exemplo, vamos continuar a analisar o mesmo painel CF8 das anteriores newsletters, com furos circulares de diâmetro de 8mm e com afastamento de 32mm (cuja a taxa de perfuração efectiva ronda os 4,6%) e com uma tela acústica de baixa resistividade ao fluxo de ar. Testamos este painel com uma caixa-de-ar de 40mm vazia e integralmente preenchida com lãs de rocha de massa específica diferente, 40kg/m3 e 70kg/m3.
Podemos observar que a absorção sonora aumenta significativamente, principalmente nas frequências abaixo da frequência de ressonância, e que o preenchimento da caixa-de-ar com lã de rocha diminui a frequência de ressonância. Por outro lado, a largura de banda onde a absorção sonora é elevada também aumenta com a utilização da lã de rocha. Nas frequências acima da frequência de ressonância já não se verifica um ganho significativo de absorção sonora (nas altas frequências a absorção sonora é essencialmente controlada pela taxa de perfuração).
O gráfico acima também permite ver que não há um ganho significativo utilizar uma lã de rocha com uma massa específica de 70kg/m3, que também tem um custo superior. Contudo, permite-nos dizer que melhora um pouco a absorção nas baixas-frequências – aliás, lã de rocha com uma ρ>100kg/m3 pode ser utilizada em sistemas dedicados à absorção sonora de baixas-frequências (bass-traps) tirando partido da sua rigidez.
Vamos agora ver que a localização ou posicionamento lã de rocha em relação aos furos também tem importância no desempenho do sistema.
Como podemos observar na figura acima, a absorção sonora é maior quando a lã de rocha está encostada às costas do painel – faz todo o sentido pois sendo a lã de rocha um material fibroso, a dissipação de energia é por atrito e junto à saída dos furos a velocidade de partícula é mais elevada.
Aliás, podemos comparar a utilização do mesmo painel com a mesma lã de rocha mas com caixas-de-ar diferentes:
Podemos observar que ao afastarmos o painel acústico da lã de rocha (roubando espaço útil à sala), obtivemos um incremento pouco significativo da absorção sonora nas baixas-frequências. Contudo, se a lã de rocha acompanhar o painel (isto é, ficar encostada às costas do painel) melhoramos significativamente a absorção sonora nas baixas-frequências.
Como vemos, a utilização de painéis acústicos é uma arte diferente da decoração de interiores. Como esta, também a acústica e a aplicação das diferentes soluções devem ser acompanhadas por profissionais com competência para o fazer.
Artigo de: Eng. Ricardo Patraquim


